O Decreto dos 10 Anos
Esta é uma história que eu mesmo vivi — e que só anos depois compreendi em toda a sua profundidade. Na época, eu ainda não conhecia o princípio de “O Sentimento é a Ponte”. Mas, de certa forma, ele já estava sendo vivido, silenciosamente, através de um decreto feito com o coração.
Quando visitamos o modelo decorado do apartamento, lembro do impacto que senti ao entrar. Havia algo diferente naquele lugar — uma harmonia, uma luz, uma sensação de pertencimento. Visitamos outros, mas nenhum se comparava àquele. Era como se aquele espaço já me reconhecesse.
Decidimos comprá-lo ainda na planta. E quando finalmente recebemos as chaves, em junho de 2008, eu me peguei dizendo, de forma espontânea e convicta: “Vamos ficar aqui por 10 anos.” Não pensei sobre isso. Simplesmente saiu. Foi uma afirmação carregada de certeza, como se algo dentro de mim soubesse o que estava dizendo.
Esse apartamento marcou o início de uma nova fase na minha vida. Foi ali que comecei, praticamente do zero, a jornada como marceneiro. Fiz com minhas próprias mãos os móveis da cozinha e de um dos quartos — exatamente do jeito que queríamos. Ficou perfeito. E, de algum modo, aquele trabalho artesanal parecia selar uma ligação ainda mais profunda com aquele lugar.
Vivemos muitos momentos ali. Projetos, risadas, desafios, recomeços. O tempo fluía, e o lar se tornava uma extensão da própria consciência. Até que, em 2015, decidimos vender o apartamento. Colocamos à venda — mas nada acontecia. Nenhuma proposta avançava. Era como se o campo mantivesse a promessa inicial, fiel ao decreto que um dia fiz sem perceber a força que tinha.
Em 2016, um comprador apareceu, decidido a fechar negócio. Tudo indicava que daria certo, mas um imprevisto o fez desistir. Quase um ano depois, ele voltou — e dessa vez, a venda se concretizou.
Foi só anos mais tarde, já compreendendo a profundidade da criação consciente, que percebi as datas: recebemos as chaves em 20 de junho de 2008 e vendemos em 5 de dezembro de 2017. Exatos 9 anos e meio.
Quando olhei para aquelas datas, senti um silêncio interno. O universo havia respondido com precisão ao que eu declarei, sem esforço, sem controle — apenas através da certeza interior de um decreto sentido.
“O decreto consciente é um pacto vibracional: o universo não esquece o que é afirmado com sentimento.”
— Edmar Sasaki
Hoje vejo que aquele episódio foi uma prévia do que eu aprenderia depois: que cada palavra sentida é uma semente criativa, e que o tempo apenas obedece ao impulso original que a gerou. Eu não havia entendido ainda que o sentimento é a ponte — mas o decreto já era a passagem.

