O Homem que se Imaginou Doente
Florence Scovel Shinn escreveu que tudo aquilo que uma pessoa imagina de forma persistente, mais cedo ou mais tarde, tende a encontrar expressão em sua vida. Para ilustrar esse princípio, ela compartilhou a história de um homem que conheceu pessoalmente.
Ele desenvolveu um medo intenso de uma determinada doença.
Era uma enfermidade extremamente rara — difícil de contrair e altamente improvável de atingi-lo. Ainda assim, por razões que nem ele conseguia explicar, passou a nutrir um grande interesse por ela.
Leu tudo o que pôde encontrar sobre o assunto.
Estudou cuidadosamente seus sintomas.
Imaginava como seria desenvolver aquela doença.
Repetidas vezes, visualizava a si mesmo ficando doente.
Com o passar do tempo, essa possibilidade tornou-se cada vez mais familiar em sua mente.
Segundo Florence, a doença acabou se manifestando em seu corpo, e ele faleceu.
Ela acreditava que a imaginação continuamente voltada para a doença havia gravado essa possibilidade de forma tão profunda em seu subconsciente que, com o tempo, ela encontrou expressão em sua própria experiência.
“A atenção dá direção. O sentimento dá vida a essa direção.”
— Edmar Sasaki
O Sentimento é a Ponte
O que torna essa história tão interessante não é a doença em si.
É o processo.
Aquele homem não queria adoecer.
Na verdade, desejava exatamente o contrário.
Queria evitar aquela doença.
No entanto, sua atenção permanecia constantemente voltada para ela.
Seu foco emocional estava fixado justamente naquilo que temia.
E existe uma diferença importante entre aquilo que desejamos e aquilo que ocupamos repetidamente em nosso mundo interior.
Muitas pessoas acreditam que estão criando a partir dos seus desejos.
Mas, muitas vezes, passam a maior parte do tempo vivendo emocionalmente os seus medos.
Pensam neles.
Falam sobre eles.
Imaginam-nos.
Reagem a eles.
E, cada vez que fazem isso, fortalecem esse estado dentro de si.
A mente não responde apenas ao que conscientemente desejamos.
Ela responde ao que repetidamente aceitamos como verdadeiro.
Uma pessoa pode desejar prosperidade enquanto sente constantemente a escassez.
Pode desejar saúde enquanto continua imaginando doenças.
Pode desejar amor enquanto revive continuamente o sentimento de rejeição.
Nosso mundo interior revela silenciosamente onde nossa atenção realmente habita.
Por isso, a pergunta não é apenas:
“O que eu desejo?”
Talvez a pergunta mais profunda seja:
“O que estou sentindo como verdadeiro?”
Porque aquilo que ocupamos repetidamente em pensamento e sentimento tende, aos poucos, a tornar-se o caminho que percorremos.
Às vezes, uma impressão é construída pela repetição, como nesta história.
Outras vezes, um único momento carregado de intensa emoção deixa uma marca profunda na mente.
Uma crítica.
Uma rejeição.
Um diagnóstico.
Uma experiência assustadora.
O acontecimento pode durar apenas alguns instantes.
Mas a impressão pode permanecer durante anos.
Seja construída pela repetição ou pela intensidade emocional, o princípio é o mesmo.
Primeiro, ela passa a fazer parte do nosso mundo interior.
Depois, naturalmente, procura expressar-se em nossa experiência exterior.
O sentimento é a ponte.
O Sentimento é a Ponte

