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A História do Tênis que Eu Não Queria

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Quando eu era criança, praticava atletismo e costumava escolher cuidadosamente os tênis que usava para correr.

Para mim, o tênis não era apenas algo que eu colocava nos pés. Eu sabia que precisava ser adequado para correr e, por isso, prestava atenção ao modelo que escolhia.

Foi então que, pouco antes do meu aniversário, uma marca lançou um modelo novo. A propaganda dizia que aquele tênis era adequado para qualquer ocasião, inclusive para correr.

Quando vi aquele anúncio pela primeira vez, tive uma sensação estranha e muito forte.

"Eu jamais quero ter esse tênis, porque não gosto dele."

Naquele momento, eu não queria aquele tênis.

Simplesmente não gostava dele.

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🎁 O aniversário estava chegando

Como meu aniversário estava próximo, meus pais começaram a falar sobre uma pequena comemoração que fariam em casa.

E então aquele tênis começou a ocupar um espaço cada vez maior na minha mente.

Eu comecei a pensar:

"E se eles me derem aquele tênis?"

Eu não queria recebê-lo.

Mas, justamente por não querer, comecei a imaginar a possibilidade de recebê-lo.

Eu pensava naquele tênis.

Imaginava a possibilidade de abrir um presente e encontrá-lo dentro.

E aquela sensação inicial de rejeição começou a se transformar também em uma espécie de medo.

Quanto mais eu pensava na possibilidade, mais real ela parecia dentro de mim.

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🎁 O presente

Finalmente chegou o dia do meu aniversário.

A comemoração estava acontecendo em casa e, em determinado momento, recebi um pacote que tinha exatamente o formato de uma caixa de tênis.

Antes mesmo de abrir, tive novamente aquela sensação.

Era quase uma certeza.

Dentro daquela caixa estava o tênis que eu não queria.

Abri o pacote.

E era exatamente ele.

O mesmo modelo que eu havia visto na propaganda.

O mesmo tênis que, desde o primeiro momento, eu havia sentido que não queria.

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🤔 O que estava acontecendo dentro de mim?

Durante muito tempo, essa história poderia ser contada simplesmente como uma coincidência.

Mas, muitos anos depois, quando comecei a estudar a relação entre pensamento, imaginação, emoção e experiência, passei a enxergá-la de uma maneira diferente.

Não acredito que a explicação seja simplesmente: "Eu pensei no tênis e ele apareceu."

Afinal, todos nós temos milhares de pensamentos durante o dia, e nem tudo aquilo que pensamos acontece.

O que me chama a atenção nessa história é outra coisa.

Eu tive uma ideia muito clara: eu não queria aquele tênis.

Essa ideia chamou minha atenção.

Minha imaginação começou a trabalhar em torno dela.

E a imaginação despertou uma emoção.

Primeiro foi rejeição.

Depois, com a proximidade do aniversário, aquela rejeição começou a se transformar em preocupação e medo.

Sem perceber, eu estava dando cada vez mais atenção justamente àquilo que não queria.

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⚡ A atenção também importa

Essa experiência me ensinou algo que considero muito importante: não basta observar apenas o que queremos.

Também precisamos observar aquilo que estamos alimentando com nossa atenção.

Quando dizemos "eu não quero isso", podemos acreditar que estamos afastando determinada coisa.

Mas, se continuamos pensando nela, imaginando-a e sentindo emoções relacionadas a ela, continuamos mantendo essa possibilidade viva dentro da nossa experiência.

A atenção funciona como uma espécie de foco.

Aquilo para o qual voltamos repetidamente nossa mente começa a ganhar importância dentro de nós.

E quando a imaginação se une à emoção, aquilo que inicialmente era apenas uma possibilidade pode começar a parecer cada vez mais real.

Isso não significa que cada pensamento isolado determine o que acontecerá.

A questão é perceber o que estamos imaginando repetidamente, onde estamos colocando nossa atenção e que sentimento estamos alimentando.

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🌉 O Sentimento é a Ponte

Quando olho para essa história hoje, percebo uma sequência muito simples.

Primeiro existe uma ideia.

A ideia pode ser algo que desejamos ou algo que tememos.

A imaginação então dá forma a essa ideia.

E a imagem criada pela imaginação desperta uma emoção ou um sentimento.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo.

Eu não queria aquele tênis.

Mas a ideia do tênis entrou na minha mente.

Minha imaginação passou a trabalhar com aquela possibilidade.

E o sentimento fez com que aquela possibilidade se tornasse cada vez mais viva para mim.

É interessante comparar essa experiência com outra história da minha infância: a bicicleta Brandani que eu desejava tanto.

Naquela história, o movimento foi:

Eu quero isso.
Ideia → imaginação → sentimento → experiência.

Nesta história, o movimento foi:

Eu não quero isso.
Ideia → imaginação → rejeição/medo → experiência.

As duas histórias aconteceram na minha infância, muito antes de eu conhecer qualquer ensinamento sobre consciência, imaginação ou sentimento.

E talvez seja justamente isso que as torna tão interessantes.

Eu não estava tentando aplicar nenhuma técnica.

Eu simplesmente estava vivendo.

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💭 Uma pergunta para nós

Talvez a pergunta mais importante não seja: "Estou pensando positivo?"

Talvez seja: "O que estou imaginando e sentindo como se já estivesse acontecendo?"

O que eu realmente quero?

No que estou colocando minha atenção?

O que estou imaginando repetidamente?

E que sentimento essa imaginação está despertando em mim?

Essas perguntas podem nos ajudar a perceber algo que normalmente acontece automaticamente.

Porque, muitas vezes, não estamos apenas pensando.

Estamos imaginando.

E não estamos apenas imaginando.

Estamos sentindo.

E é justamente aí que começa a ficar interessante.

"Primeiro existe uma ideia. A imaginação dá forma a essa ideia. O sentimento dá vida à imaginação. E aquilo que ganha vida dentro de nós pode começar a influenciar a maneira como percebemos e vivemos a realidade."

— Edmar Sasaki

O Sentimento é a Ponte

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